O tapinha é uma das formas mais sutis de violência contra a criança. Em vez de educar, deseduca, já que ensina, de forma incorreta, que a força é um argumento legítimo para solucionar conflitos.
A maioria dos adultos considera os tapinhas um tipo de atitude natural, acreditando que a punição física é educativa. Confunde-se castigo com disciplina.
Mas quando os tapinhas, chamados de “psicotapas”, não surtem o resultado esperado, podem tornar-se mais freqüentes e violentos, comprometendo o desenvolvimento emocional e até físico das crianças. Os pais não precisam recorrer a tapas e safanões para impor limites. Dar uma palmada ou espancar uma criança podem parecer coisas bem diferentes. Afinal, o tapa apenas “esquenta” o bumbum, enquanto uma cintada deixa marca extremamente dolorida. No entanto, o princípio que rege os dois tipos de agressão é o mesmo: impor a própria vontade por meio de força e poder.
No processo de educação da criança, os pais alimentam a expectativa de que ela aprenderá a respeitar as normas sociais com a mesma naturalidade com que aprendeu a andar e falar. Mas esse aprendizado é mais demorado, mais complexo e muito mais difícil. Não é de um momento para o outro que uma criança vai aceitar limites e proibições. Além disso, ela não tem muita tolerância a frustrações, reagindo com birras quando é contrariada. E são nessas situações, quando a criança mais necessita da paciência e da atitude firme dos pais, que muitos adultos perdem o controle.
Os pequenos tapas e os safanões constituem a violência mais comum utilizada como complemento permanente na educação da criança. Criar filhos de maneira adequada não é uma tarefa fácil. Mas lançar mão da coerção física ou emocional para manter a disciplina é abusar da tirania e impor a força bruta como única forma de solucionar conflitos.
A punição física pode até dar resultado imediato, mas não impede que, em outro momento, a criança repita a atitude que deu origem à agressão.
Quando os papéis e as funções de pais e filhos são claramente delimitados pela família, não há necessidade de recorrer a tapas na tentativa de educar a criança.
Por isso, as regras devem ser colocadas no dia-a-dia, à medida que ela avança em seu desenvolvimento físico, emocional e intelectual. É importante que as normas de convívio sejam implementadas desde cedo, a partir do momento em que as crianças passam a entender o significado de um “não”.
Também a violência psicológica é tão danosa quanto à violência física. Amedrontar ou ameaçar a criança pode ter conseqüências desastrosas em seu desenvolvimento emocional. A violência emocional quebra o vínculo de confiança que os pequenos estabelecem com os adultos. Como poderão recorrer aos pais nos momentos difíceis se eles o aterrorizam?
Acreditar que a palmada é a única linguagem que a criança entende é abrir um caminho perigoso para a violência doméstica. O ideal é não bater nos filhos, independente da idade.
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
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